Capítulo 2

Espaço, Lugar, Região, Paisagem, Território e

Rede


     Assim como se aprendem os conceitos importantes da Língua Portuguesa, Matemática e demais ciências, a Geografia também possui conceitos que são fundamentais para o seu estudo.

     Nesta unidade contemplar-se-ão conceitos considerados imprescindíveis para o estudo da Geografia. São eles:

     Espaço: No senso comum o espaço denota as estrelas, às distâncias de um lugar a outro, ou ainda, o tamanho ocupado pelos objetos e pessoas. O espaço se constitui de diferentes formas e estas, por sua vez, apresentam alguma relação com as pessoas que o habitam. O exemplo disso é percebido a sua volta a partir da observação dos elementos existentes na sua localidade, próximo a sua moradia, as ruas, as avenidas, as casas, os prédios comerciais, residenciais e industriais os quais apresentam serventia ao Homem. Pelas ruas nos deslocamos. As casas servem de abrigo e moradia, os prédios podem conter lojas e indústrias e nestes se encontram o local de trabalho de grande parte da população.

     Você já observou o formato de sua Escola? Certamente perceberá que é diferente dos demais prédios da sua redondeza, mas isso acontece porque a Escola tem a função de promover o aprendizado dos alunos. Encontramos ambientes como as salas de aula, o ginásio de esportes, a cantina, a secretaria, a biblioteca e o pátio.

     Logo, o espaço pode ser: social, econômico ou cultural, ligado às dimensões da natureza e da sociedade. Apesar de se remeter a uma questão geométrica, a partir do olhar humano, o espaço geográfico incorpora uma configuração espacial passível de representação gráfica dos objetos geográficos.

     Lugar: É onde as dinâmicas das relações dos indivíduos são de proximidade e vivências diretas e, ainda, onde cada pessoa busca as referências pessoais e constrói os seus sistemas de valores que fundamentam a vida em sociedade. Portanto, o conceito de lugar está relacionado à dimensão cultural e fortemente relacionado à identidade e ao cotidiano. Com isso o conceito passa a ter forte grau de subjetividade, reconhecendo seu conceito antagônico de não-lugar, como espaço criado e sem identidade, como um shopping, um resort ou um aeroporto. Apesar da aparente proximidade com a escala local, tal confusão dificulta a assimilação de tal conceito. Local é uma escala geográfica de limite, mais ou menos definido, está muito relacionado à questão de proximidade geográfica. O lugar, no contexto da globalização, pode dar-se na escala local, mas também nas escalas regionais, nacionais e globais.

     Região: Os lugares são diferentes entre si, cada qual com suas especificidades. Constituem-se por formas e funções diversas. As regiões surgem a partir do agrupamento de lugares que possuem características comuns naturais e culturais como, por exemplo, extensas planícies fluviais cobertas de vegetação ombrófila, ou então, uma significativa concentração de estabelecimentos comerciais e industriais. Também é possível distinguir esses lugares por sua localização como, por exemplo, quando a porção da cidade está em um dos extremos, denominando-as de região Norte, Sul, Leste e Oeste. Dividir o espaço em regiões é bastante útil, pois possibilita uma melhor administração dos dos recursos naturais e humanos.

     Paisagem: A paisagem se constitui a partir da presença em diferentes escalas dos elementos naturais e culturais sobre os quais a sociedade interage e cuja percepção permite a leitura do espectador a partir dos princípios da semiótica, linguística, psicologia e sociologia, não há uma escala determinada, aceitando percepções diferenciadas.

     Território: Considera-se que são feições do espaço geográfico que vão além do identificar limites e extensões. Compreende também o conhecimento da sociedade de que a ele pertence, das razões que o mantém coeso e das relações de poder, uma construção social. O território é transitório e mutável, depende das relações e escalas temporais.

     Rede: Novo conceito que na ordem mundial estruturou uma organização que se configura em forma de malha, e resulta em uma interconexão e aproximação entre todas as formas do Estado e do capital financeiro. A mutabilidade do espaço imposto pela ordem do sistema socioeconômico vigente – o Capitalismo - que na busca incessante por sua continuidade se renova e se reinventa constantemente ao longo da história por meio dos avanços técnico-científicos e pela ampliação da velocidade das informações e da capacidade de transportes de mercadorias e de locomoção dos indivíduos. Essa nova ordem socioeconômica possibilitou que o processo de globalização alcançasse os mais distantes lugares do globo terrestre, permitindo a transposição das fronteiras físicas e políticas por meio da intensificação do fluxo mercantil, monetário e de capitais. Os espaços de produção que se configuram nesta nova ordem, se inter-relacionam na verticalidade com outros espaços numa ligação hierarquizada de interdependência e que vincula, entre si, os arranjos em que se alocam os equipamentos públicos e privados, a concentração das instituições políticas e de prestação de serviços.

Meios de Orientação

     Você lembra as primeiras impressões que teve quando visitou outra localidade?


     Certamente se sentiu um tanto perdido. No entanto, na companhia de pessoas adultas, estas o ajudaram a orientar-se. Normalmente costumamos assinalar itens que nos chamam bastante a atenção, assim fica mais fácil traçar o caminho. Pois é importante sabermos de onde viemos e para onde vamos.

     Hoje podemos nos deslocar facilmente no espaço do Bairro, Município, Estado e País, pois o Homem Moderno criou símbolos que são capazes de transmitir as informações necessárias que nos permitem um deslocamento seguro. Muito diferente do passado da humanidade quando o Homem tomava como referência, durante o dia, a trajetória do Sol pelo céu, à noite as estrelas, além dos elementos que constituem as paisagens como: rios, lagos, mares, florestas, rochedos e montanhas.

Orientação pelo Sol

     O ponto em que o Sol aparece diariamente no horizonte, o Nascente, é conhecido também por Leste, ou Oriente, e o local onde ele se põe, o Poente, corresponde ao Oeste ou Ocidente.


Por do Sol às margens do Rio Itajaí-Açu
(SECOM)


     Como podemos nos orientar pelo Sol?

     Você verá que estendendo o braço direito para onde o Sol nasce teremos o Leste (L), o braço esquerdo para onde o Sol se põe, teremos o Oeste (O), a nossa frente fica o Norte (N) e as nossas costas, o Sul (S).

     Esses quatro pontos de orientação: Norte, Sul, Leste e Oeste constituem os Pontos Cardeais. Situação que você pode observar na figura abaixo:

     Entre os Pontos Cardeais, foram criados mais quatro pontos de orientação, os Colaterais, que são: Nordeste (NE), Sudeste (SE), Noroeste (NO) e Sudoeste (SO). Além desses, há também outras subdivisões que nos permitem maneiras mais precisas de orientação denominados Pontos Subcolaterais. São oito pontos que se encontram nos intervalos de um Ponto Cardeal e um Ponto Colateral: Norte-Nordeste (NNE), Norte-Nordeste (NNO), Este-Nordeste (ENE), Este-Sudeste (ESE), Sul-Sudeste (SSE), Sul-Sudoeste (SSO), Oeste-Sudoeste (OSO), Oeste-Noroeste (ONO) que integram a Rosa-dos-Ventos.


Rosa-dos-Ventos


Orientação pela Lua


     Também podemos orientar-nos pelo nosso satélite natural: a Lua. Nas noites de lua cheia, quando o céu está limpo, sem nuvens, a Lua tal como o Sol, nasce a Leste e se põe no Oeste, ou seja, vale a mesma regra como no caso da orientação pelo Sol.



Orientação pela Lua na Beira Rio - Bairro Centro, município de Blumenau
(SECOM)

Orientação pelas Estrelas

     Talvez você não saiba, mas existem estrelas as quais somente nós cidadãos de Blumenau podemos ver. Isto se deve à curvatura da Terra, aliado ao fato de estarmos abaixo da Linha do Equador.

     Esta metade, abaixo do Equador, tem o nome de Hemisfério Sul de onde podemos ver a Constelação do Cruzeiro do Sul, que aponta para o Sul e pode servir-nos como meio de orientação.

     A maneira como devemos orientar-nos pela Constelação do Cruzeiro do Sul, consiste em prolongarmos quatro vezes o braço maior da cruz e, desse ponto imaginário, baixa-se uma linha reta em direção ao horizonte. Assim, teremos o Sul. Se nos colocarmos de costas para a Constelação, teremos à frente o Norte, à direita o Leste e à esquerda o Oeste.

Orientação pela Bússola

    Existe ainda a Orientação pela Bússola que é o melhor meio de orientação. É uma invenção antiga, com vários séculos de existência.

      • Foram os chineses que no século X criaram esse instrumento denominado bússola.

     A bússola tem um marcador semelhante a um relógio, só que no lugar das horas estão os Pontos Cardeais, Colaterais e Subcolaterais (Rosa-dos-Ventos). Em vez de ter dois ponteiros, como os relógios, a bússola possui apenas um: uma agulha imantada, e que aponta sempre para o Norte.

     "Você sabia que a Terra possui o Polo Norte Geográfico, o Polo Norte Magnético, o Polo Sul Geográfico e o Polo Sul Magnético?"

     A bússola não indica, portanto, exatamente o Polo Norte, mas o Polo Norte Magnético. A pequena diferença que se observa entre essas indicações é chamada Declinação Magnética, que podemos identificar com aproximadamente 13 graus de inclinação a Oeste, quando queremos fazer cálculos mais precisos.

Aprendendo a fazer

   Neste primeiro momento, construir-se-á a Rosa-dos-Ventos, cujo procedimento contribui no aprimoramento da coordenação motora fina, além disso, servirá como instrumento de apoio para atividades lúdicas com o aluno.

     Desenhe uma cruz com as quatro extremidades todas nas mesmas medidas, depois no centro faça um pequeno "X", em seguida trace as linhas para unir as extremidades. O seu produto final será semelhante a uma estrela com oito pontas.


   Agora é o momento de sair a campo, ou seja, fora do ambiente de sala de aula. Escolha um dia em que as condições climáticas estejam favoráveis para se observar a trajetória do Sol, o seu nascente e poente. Oriente os alunos para direcionar a ponta correspondente ao Leste da Rosa-dos-Ventos para o nascente.

   Assinale alguns pontos de referência importantes e indague ao aluno qual sentido tomar, caso fosse necessário se deslocar.

     Neste momento, é interessante trabalhar com pré-mapas da Unidade Escolar, instigando o aluno a encontrar ambientes do espaço físico escolar e num segundo momento, objetos, documentos, instruções (em caso de uma gincana) previamente alocados como se estivesse à busca de um "tesouro".


Exemplo de uma representação de planta baixa de uma associação recreativa

   Quando impossibilitado de realizar a orientação pelo Sol, pela Lua ou pelas Estrelas, devido às condições instáveis do tempo e do clima é possível se valer da orientação pela bússola.

Professor:

     É interessante apresentar aos alunos sobre o campo magnético da Terra, que se trata da força resultante do ferro líquido que é um dos componentes do magma localizado no interior do nosso Planeta, cujo efeito é semelhante a um motor elétrico.

     Agora é hora de construir uma bússola e, para isto, necessitamos dos seguintes itens:

- Agulha imantada
- Rolha
- Tampa plástica
- Caneta para retroprojetor
- Água.

     É importante que a agulha esteja imantada, caso contrário, basta friccioná-la num pequeno ímã. Em seguida, transpasse a agulha na rolha colocando-a no centro da tampa plástica e, nesta, deverão estar escritos os Pontos Cardeais. Despeje uma pequena quantidade de água, apenas o suficiente para a rolha flutuar.

     Cessado a turbulência da água, a ponta da agulha imantada se voltará para o Norte Magnético e, imediatamente, relacione este sentido da agulha com a letra N (Norte).

     Após a confecção desta bússola é possível aplicar pequenos desafios no próprio espaço escolar, objetivando a busca ou a localização.

   Após observar a planta baixa da associação recreativa apresentada acima, procure colorir a planta abaixo para reconhecer os espaços físicos que compõe a representação da planta baixa dessa associação recreativa.