HANSENÍASE

Hanseníase é uma doença que tem cura, contrariando a cultura popular que voga em contrário. Na primeira dose do tratamento, 99% dos bacilos são eliminados e não há mais chances de contaminação.

O QUE É?

É uma doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen (Mycobacterium leprae), que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal -do-sangue.

Existem quatro formas de manifestação da doença:

FORMAS PAUCIBACILARES (NÃO CONTAGIANTES)

Hanseníase Tuberculóide   Hanseníase Indeterminada  
FORMAS MULTIBACILARES (CONTAGIANTES)
Hanseníase Dimorfa   Hanseníase Virchowiana  

 Þ Hanseníase Tuberculóide

Manchas vermelhas que podem ser confundidas com "impingem"ou "rabicha" ocorre dormência e a queda de pêlos sobre as manchas são mais evidentes. O doente pode ter dor nos nervos dos braços e pernas.   

Þ Hanseníase Indeterminada

Manchas brancas na pele, dormentes, podendo ocorrer também o desaparecimento de pêlos no local.    

 

  FORMAS MULTIBACILARES (CONTAGIANTES)

  Þ Hanseníase Dimorfa

Manchas avermelhadas ou de cor castanho, espalhadas pelo corpo.

As dormências são comuns.   

Þ Hanseníase Virchowiana

Caroços nas orelhas e no corpo. Perda de pêlos (cílios e sobrancelhas).

As mãos e os pés ficam inchados e o nariz entupido e escorrendo.

A transmissão acontece no contato íntimo e prolongado com o doente através das vias aéreas (respiração, espirro, tosse, fala). Pode também ser transmitida através do contato com feridas abertas do doente.

 

Felizmente 90% das pessoas tem resistência natural ao bacilo, ou seja, pode até entrar em contato com o micróbio sem no entanto desenvolver a doença. Isto é mais um dado positivo para a não segregação dos doentes.

Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas em qualquer parte do corpo, com formigamento, diminuição ou perda da sensação de calor.

 

·        Engrossamento e dor nos nervos dos braços, pernas e pés.

 

·        Dormência e enfraquecimento das mãos e dos pés.

 

·        Caroços e inchaços no rosto e nas orelhas.

 

Por ser uma doença que pode ser confundida com outras doenças dermatológicas mais simples e também por ter um tempo longo de incubação , a Hanseníase deve ser detectada logo no início, pois apesar de ser uma DOENÇA CURÁVEL as seqüelas permanecem e podem levar à incapacidade. Portanto esteja atento aos sintomas descritos acima.

O Mycobacterium leprae se multiplica de maneira lenta e afeta principalmente a pele, os nervos e os músculos.

Na década de 40 surgiu o primeiro tratamento eficaz contra a doença com a utilização da dapsona. Este produto podia curar os doentes , mas exigia o uso contínuo do medicamento durante anos e com o tempo o bacilo tornou-se resistente ao medicamento.

A partir do início da década de 80 a Organização Mundial de Saúde recomenda o uso de três medicamentos simultaneamente. Esta técnica passou a se chamar poliquimipoterapia e apresenta como grande vantagem a destruição do bacilo que impede que este crie resistência aos medicamentos.

Esse tratamento é oferecido gratuitamente nas Unidades de Saúde e tem a duração de 6 meses (formas não contagiantes) a 2 anos (formas contagiantes).

A cura depende apenas da disciplina do paciente em tomar a medicação todos os dias e o comparecimento periódico às Unidades de Saúde em que se cadastrou.

O importante é que o doente não abandone o tratamento até estar completamente curado.

Transmissão

Não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.

CONTÁGIO

A maioria das pessoas é resistente ao bacilo e portanto não adoece. De 7 doentes, apenas um oferece risco de contaminação.

Das 8 pessoas que tiveram contato com o paciente com possibilidade de infecção, apenas 2 contraem a doença. Desses 2, um torna-se infectante.

O ataque da doença

O bacilo de Hansen pode atingir vários nervos, mas contamina mais freqüentemente o dos braços e das pernas. Com o avanço da doença, os nervos ficam danificados e podem impedir o movimentos dos membros, como fechar mãos e andar.

1 - Nervos mais atingidos.

 

CUIDADOS QUE O DOENTE DEVE TER.

Olhos

Repare se você tem permanentemente a sensação de estar com areia nos olhos, a visão embaçada ou ressecada de repente, ou se tem piscado mais que o normal. Pode ser um pequeno nervo dos olhos afetado pela doença.

O que fazer - Observe se há ciscos e limpe com soro. Se está difícil fechar os olhos, exercite-os forçando o músculo ao abrir e fechar. 

Nariz

Se sente que o nariz tem ficado entupido com freqüência, se têm aparecido cascas ou sangramentos súbitos, se tem sentido cheiro ruim, o osso do nariz pode ter sido atingido pela doença.

O que fazer - Limpe o nariz com soro fisiológico, inspirando e expirando. Nunca arranque as casquinhas.  

Mãos e braços

Se nota dor ou formigamento, choque ou dormência nas mãos, braços e cotovelos ou se as mãos ficam inchadas e com dificuldade de sustentar os objetos, fique atento.

O que fazer - Faça repouso do braço afetado, evite os movimentos repetitivos e não carregue objetos pesados. Procure o serviço de saúde. Use óleos ou cremes para evitar ressecamento.   

Pés

Se sente dor e câimbras nas pernas, fraqueza nos pés, formigamento ou choque; se surgem muitas feridas, calos ou bolhas, é sinal de que o nervo foi atingido. Por isso, a pele resseca e o pé fica fraco.

O que fazer - Fique em repouso e ande calçado apenas quando necessário. Procure o médico. Regiões esbranquiçadas e insensíveis na pele são um sinal da doença.

SINTOMAS

 
Aparecimento de caroços ou inchados no rosto, orelhas, cotovelos e mãos.

 
Entupimento constante no nariz, com um pouco de sangue e feridas.

 
Redução ou ausência de sensibilidade ao calor, ao frio, à dor a ao tato.

 

 
Manchas em qualquer parte do corpo, que podem ser pálidas, esbranquiçadas ou avermelhadas.

 
Partes do corpo dormentes ou amortecidas. Em especial as regiões cobertas.

TRATAMENTO 

A hanseníase se apresenta, basicamente, de duas formas. O tratamento depende do tipo.

·         Se for do tipo paucibacilar (com poucos bacilos), o tratamento é mais rápido. É dada uma dose mensal de remédios durante seis meses. Além da ingestão de um comprimido diário;

·         Se for do tipo multibacilar (com muitos bacilos), o tempo para tratamento é mais longo. São 24 doses do medicamento, uma por mês. Além de dois outros remédios diários durante os dois anos.

O tratamento será 100% eficiente se for levado a sério do começo ao fim. Todos os medicamentos devem ser distribuídos pela rede pública de saúde.  

CASOS CLÍNICOS

 

Hanseníase Tuberculóide Reacional, placas eritematosas, de aparecimento abrupto com limites bem definidos e regulares. De permeio pele normal, sem sinais de infiltração. A baciloscopia nesses casos pode ser fracamente positiva, principalmente na vigência do surto reacional. A sensibilidade está alterada; porém, pode ser normal na face, devido à intensa irrigação nervosa.

Hanseníase Dimorfa – Este caso poderia ser classificado clinicamente como Hanseníase Tuberculóide, entretanto no histopatológico, já se observa granulomas frouxos e baciloscopia de +++. Isto tem importância pelo fato de ser a única lesão deste paciente, onde o atual tratamento ROM, para casos com lesão única, tem de ter sua aplicação revista.

Hanseníase Dimorfa Tuberculóide  em Reação : Várias placas de aparecimento rápido ( cerca de 03 meses ) de tom eritêmato hipocrômico, limites bem definidos, com sensibilidade alterada. Neste caso a classificação final depende:  da baciloscopia cutânea ( aqui, fracamente positiva ), do teste de Mitsuda ( aqui, 4mm ), do histopatológico, e por fim da evolução do paciente. A reação neste caso é a do tipo 1, isto é, por imunidade celular.

Hanseníase Virchowiana com nódulos reacionais tipo Eritema Nodoso: Paciente do sexo feminino, com infiltração difusa de todo o tegumento. Aqui na foto, mostra detalhe de nódulos eritematosos dolorosos, no MSD, com febre e mal estar geral. A reação neste caso é a do tipo 2, isto é, por imunidade humoral.

Hanseníase Tuberculóide com Mal Perfurante Plantar: Paciente neste caso já com alta medicamentosa há anos , entretanto houve agressão de tronco nervoso ( Ciático Popliteo Externo E. ),levando à diminuição de sensibilidade do pé E, com isso, por microtraumatismos em áreas de maior pressão, como a base do quinto metatarsiano, ocorre o aparecimento de úlceras de bordos calosos, totalmente anestésicas . A conduta nestes casos reside em cuidados locais e adaptações de calçados com técnicas simples para uma melhor distribuição do peso do corpo.

Hanseníase Dimorfa em Reação – Placas generalizadas pelo dorso, de tom eritematoso. Paciente está em tratamento PQT/MB ,na vigência da sétima dose supervisionada, apareceram-lhe placas reacionais por todo o corpo.