SIAS – PARASITOLOGIA

 

  1. AÇÃO DOS PARASITOS SOBRE OS HOSPEDEIROS
  2. LISTA DAS PRINCIPAIS PARASITOSES HUMANAS
  3. PRINCIPAIS VEÍCULOS DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS
  4. ASCARIDÍASE

Observando os seres-vivos animais e vegetais, percebemos que existe um inter-relacionamento muito forte. Podemos até afirmar que nenhum ser é capaz de se desenvolver ou reproduzir independentemente de outro. Convém salientar que as relações entre os seres vivos são dinâmicas. Sendo assim todos os seres estão se adaptando em busca do equilíbrio, cuja estabilidade jamais é alcançada. Dessa forma, meio ambiente e seres vivos estão em constante adaptação mútua, isto é, “evoluindo” sempre. Para que a evolução ocorra de maneira harmoniosa é necessário que o agente “perturbador do equilíbrio” exerça seu papel lentamente. Entretanto, se o desequilíbrio acontecer de modo brusco, rápido ou muito abrangente, não haverá evolução e sim destruição de um dos

participantes. Observando as inter-relações entre os animais, a ecologia criou conceitos. Ficando o conceito de parasitologia como sendo a parte da ciência que estuda o parasitismo.

Parasitismo é definido, por COELHO (1995), como uma relação direta e indireta entre dois organismos geralmente bem determinados, o hospedeiro e o parasito. Nessa relação o parasito vive as custas do hospedeiro, caracterizando uma relação desarmônica, em que só há beneficio para um dos organismos envolvidos. Assim o hospedeiro é indispensável para o parasito, separado dele, morrerá por falta de nutrientes.

Existem outros papéis a serem ocupados na relação parasito-hospedeiro. Dentre eles podemos destacar:

Hospedeiro definitivo: é o ser que aloja o parasito por um período maior de tempo, é também, onde observamos o desenvolvimento e a reprodução do parasita.

Hospedeiro intermediário: é o ser onde o parasita se desenvolve parcialmente, passando par o estágio adulto só no hospedeiro definitivo.

Vetor: também conhecido como hospedeiro de transporte, pode ser um artrópode, molusco,...onde não ocorre crescimento da larva, permanecendo no seu estado infestante.

Nesse estado a larva pode ser transmitida de um hospedeiro para outro até o hospedeiro definitivo.

Existem dois tipos de vetores:

-Biológico: onde as larvas se reproduzem dentro do vetor.

-Mecânico: onde o vetor só serve como meio de transporte.

Convém ressaltarmos, que existem diversos tipos de interação entre os seres, sendo o parasitismo, canibalismo, competição, predatismo, neutralismo,... exemplos de relações desarmônicas e mutualismo, protocooperação, comensalismo,... exemplos de relações harmônicas.

De acordo com, IGLÉSIAS (1998): A parasitologia deveria ser apenas parte da história da medicina, mas a falta de saneamento básico e de educação a torna uma disciplina ativa e em franca evolução. Essa afirmação pode ser claramente observada em países de terceiro mundo, onde as deficiências monetárias apóiam essas moléstias. Segundo COELHO (1995) o Brasil é um dos campeões das mazelas decorrentes da falta e saneamento básico, apresentando números alarmantes estampados em todos os jornais: ”Malária mata duas mil pessoas em três meses”,”Por falta de saneamento, 40 milhões de brasileiros infectados com Esquistossomose, 120 milhões expostos a Dengue, 5 milhões

de portadores do mal de Chagas”.

Os brasileiros constituem frações alarmantes destes tristes índices estatísticos. Nos

Estados Unidos da América o controle das moléstias causadas por parasitos é feito pela Division of Parasitic Diseases (DPD), que consegui reduzir para quase zero o número de casos.

Sendo os casos computados, encontrados em imigrantes (na grande maioria).

1. AÇÃO DOS PARASITOS SOBRE OS HOSPEDEIROS

De acordo com NEVES (1991): Nem sempre a presença de um parasito em um hospedeiro indica que está havendo ação patogênica do mesmo. Entretanto, está ausência de patogenicidade é rara e de curta duração, dependo da fase evolutiva do parasito. Em geral, os distúrbios que ocorrem são de pequena monta, pois há uma tendência de haver um equilíbrio entre a ação do parasito e a capacidade de resistência do hospedeiro. Dessa forma, vê-se que a ação patogênica dos parasitos é muito variável, podendo ser assim apresentado.

 

1.1 AÇÃO ESPOLIATIVA

Quando o parasito absorve nutrientes ou mesmo sangue do hospedeiro, podem deixar pontos hemorrágicos na mucosa quando abandonam o local de sucção. Esse tipo de ação é o caso dos Ancylostomatidae, triatomíneos ou de mosquitos.

1.2. AÇÃO TÓXICA

Acontece quando algumas espécies produzem enzimas ou metabólicos que podem lesar o hospedeiro. Exemplos: A. lumbricoides, S.mansoni, etc.

1.3. AÇÃO MECÂNICA

Algumas espécies podem impedir o fluxo de alimento, bile ou absorveção alimentar. Assim o enovelamento da A. lumbricoides dentro da alça intestinal, obstruindo-a; G. lamblia, “atapetando” o duodeno.

1.4. AÇÃO TRAUMÁTICA

É provocada, geralmente, pela migração de formas larvais de helmintos, embora vermes adultos e protozoários também possam fazê-lo. Exemplo: F. hepatica, T. trichiurus, Plasmodium, etc.

1.5. AÇÃO IRRIATIVA

Deve-se a presença constante do parasito que, sem provocar lesões traumáticas, irrita o local parasitado. A A. lumbricoides pode ser usada como exemplo.

1.6. ANÓXIA

Qualquer parasito que consuma o oxigênio da hemoglobina, ou produza anemia, é capaz de provocar uma anóxia generalizada. É o caso do Ancylostomatidae Independente da ação, ou do tipo da parasito o organismo desenvolverá mecanismos de defesas para sua própria proteção. A imunidade é um mecanismo multifatorial que pode ser local ou sistêmico, inespecífico ou específico, humoral ou celular, natural ou adquirido. Existem no organismo barreiras fisiológicas ou anatômicas como: a pele, o pH cutâneo, a secreção mucóide, os movimentos ciliares do trato respiratório, a secreção lacrimal, o suco digestivo, a inflamação ou flogose,... são consideradas defesas inespecíficas pois defendem o organismo independente do agente patológico. A imunidade, ou seja, a possibilidade de produzir anticorpos para combater um corpo estranho ao organismo é uma defesa específica, já que um anticorpo só se liga ao parasito para o qual foi formado.

Existem três tipos de imunidade:

Imunidade Natural: quando o corpo responde à agressão de um antígeno, sem necessitar de um aviso prévio.

Imunidade Adquirida Ativa: quando o organismo produz anticorpos a partir de um agente infeccioso que o atingiu naturalmente.

Imunidade Adquirida Passiva: quando o hospedeiro recebe anticorpos, para aquele parasito, prontos.

 

2. LISTA DAS PRINCIPAIS PARASITOSES HUMANAS

A lista com as principais parasitosese humanas abaixo foi retirada da página da DPD.

Endereço Eletrônico: http://www.cdc.gov/ncidod/dpd/p_diseas.htm

 

Doença Africana Dormir (Trypanosomiasis)

Doença Alveolar Do Hydatid (Ahd) (Echinococcosis)

Amebiasis (infecção do histolytica de Entamoeba)

Trypanosomiasis Americano (Doença De Chagas)

Ascariasis (Lombrigas Intestinal)

Bilharzia (Schistosomiasis)

Infecção dos hominis de Blastocystis Doença De Chagas (Trypanosomiasis Americano)

Infecção do mesnili de Chilomastix Diarrhea Crônico

Cryptosporidiosis Infecção De Cyclospora Cysticercosis

Infecção fragilis de Dientamoeba Dracunculiasis (Doença do Sem-fim do Guinea)

Echinococcosis (Doença Alveolar Do Hydatid)

Infecção do nana de Endolimax

Infecção de Entamoeba coli

Infecção dispar de Entamoeba

Infecção do hartmanni de Entamoeba

Infecção do histolytica de Entamoeba (Amebiasis)

Infecção do polecki de Entamoeba Enterobiasis (Infecção de Pinworm)

Filariasis Doenças Foodborne Giardiasis

Doença Do Sem-fim Do Guinea (Dracunculiasis)

Infestation Principal Dos Piolhos (Pediculosis)

Infecção De Hookworm Lombrigas Intestinal (Ascariasis)

Infecção do buetschlii de Iodamoeba

Leishmaniasis

Malária

Microsporidiosis

Infecção Intestinal De Nonpathogenic Amebae

Onchocerciasis (Blindness Do Rio)

Pediculosis (Infestation Principal Dos Piolhos)

Infecção De Pinworm (Enterobiasis)

Pneumonia do carinii de Pneumocystis (PCP)

Blindness Do Rio (Onchocerciasis)

Scabies

Schistosomiasis (Bilharzia)

Toxocariasis (Larva Ocular Migrans, Larva Visceral Migrans)

Toxoplasmosis

Trichinellosis

Trichinosis

Trypanosomiasis (Doença Africana Dormir)

Doenças Waterborne

Doenças Zoonotic

 

3. PRINCIPAIS VEÍCULOS DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS

Aqui podemos destacar como podem ser transmitidas as ditas “doenças transmissíveis”, destacando também seus principais veículos de transmissão, qual o nome específico (mais comum) da doença e o (micro) organismo causador.

Doenças cujos bioagentes são transportados por:

Ä     Alimentos

Ø      AmebíaseEntamoeba histolytica

Ø      AscaridíaseAscaris lumbricoides

Ø      BruceloseB. abortus, B. suis, B. melitensis

Ø      FasciolíaseFasciola hepática

Ø      Febre tifóideSalmonella typhi

Ø      HidatidoseEchinococcus granulosus

Ø      TeníaseTaenia solium, Taenia saginata

Ø      TricuríaseTrichuris (Trichocephalus) trichiurus

Ø      TriquineloseTrichinella spiralis

 

Ä     Fômites

Ø      CandidoseCandida albicans

Ø      EstafilococciasStaphylococcus aureus

Ø      Infecção PuerperalStreptococcus pyogenes

Ø      Tinha do Couro CabeludoMicrosporum, Trichophyton

Ø      Tinha das UnhasTrichophyton, Epidermophyton

Ø      Infecções Hospitalares (objetos, poeira, etc.)

§         Actinomyces

§         Aspergillus

§         Candida

§         Klebsiella

§         Pseudomonas

§         Staphylococcus

 

Ä     Água Utilizada Como Bebida

Ø      AmebíaseEntamoeba histolytica

Ø      CóleraVibrio cholerae

Ø      Febre TifóideSalmonella typhi

Ø      Hepatite AVirus da Hepatite A – VHA

Ø      PoliomielitePoliovírus 1,2,3

Ø      SalmonelosesSalmonella

Ø      ShigelosesShigella

 

Ä     Ar atmosférico

Ø      CaxumbaParamyxovirus

Ø      CoquelucheBordetella pertussis

Ø      GripeOrthomyoviridae (tipos A,B,C)

Ø      LegioneloseLegionella pneumophila

Ø      Resfriado ComumRhinovirus

Ø      RubéolaRubivirus

Ø      SarampoMorbillivirus

Ø      TuberculoseMycobacterium tuberculosis

Ø      VaricelaHerpesvirus varicelae (ZVZ)

 

Ä     Sangue Para Transfusão

Ø      AIDSTipo de retrovírus (HIV)

Ø      SífilisTreponema pallidum

Ø      Doença de ChagasTrypanosoma cruzi

 

Na tabela abaixo, mostramos os principais substratos de eliminação e os agentes infecciosos veiculados por eles.

SUBSTRATO

BIOAGENTE PATOGÊNICO

DOENÇA

Escarro

Mycobacterium tuberculosis

Tuberculose

Esperma

HIV

AIDS

Exsudato de lesões cutâneas

Treponema pallidum

Sífilis

Exsudatos oculares

Chlamydia trachomatis

Tracoma

Fezes

Entamoeba histolytica

Amebíase

Fígado de ovinos

Echinococcus granulosus

Equinococose

Leite de vaca

Brucella abortus

Brucelose

Leite materno

Mycobacterium leprae

Hanseníase virchowiana

Muco nasal

Mycobacterium leprae

Hanseníase

Músculo de gado

Taenia saginata

Teníase

Músculo de porco

Taenia solium

Teníase

Pus

Staphylococcus aureus

Impetigo

Sangue

Vírus – HB

Hepatite – B

Saliva

Rhabdovirus

Raiva

Secreção oronasal

Neisseria meningitigis

Doença meningocócica

Secreção vaginal

Neisseria gonorrhoeae

Gonorréia

Secreção uretral

Chlamydia (tipos D até K)

Uretrite clamidial

Suor

Salmonella typhi

Febre tifóide (septicêmica)

Urina

Schistosoma haematobium

Esquistossomose vesical

 

4. ASCARIDÍASE

4.1 Morfologia

O Ascaris lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga, é o maior nematódio intestinal do homem. A doença causada pelo Ascaris é a Ascaridíase. O Ascaris adulto tem coloração amarelo-rosado, três lábios em sua extremidade anterior, uma cutícula lisa e duas linhas brancas lateralmente distribuídas pelo corpo. O verme macho adulto mede aproximadamente 15-30 cm de comprimento, a fêmea mede aproximadamente 35-40 cm de comprimento. Para distinguir a fêmea do macho, além do tamanho, pode-se observar na fêmea, na sua extremidade posterior, uma forma cônica e retilínea, ao passo que o macho apresenta essa extremidade curva ventralmente com dois espículos laterais curvos.

Quando adulto, o verme vive na luz do intestino delgado, onde se alimenta do conteúdo intestinal do homem e pode se locomover facilmente sem se fixar à mucosa intestinal. Vivem no intestino por cerca de seis meses e põem em média cerca de 200 mil ovos. No intestino, podem-se abrigar cerca de 500-600 vermes de uma só vez.

Os ovos são arredondados ou ovais, de coloração marrom, pois absorvem pigmentos biliares das fezes. Esses ovos não são infectantes para o homem.

4.2 ciclo biológico

Os ovos fecundados são eliminados pelas fezes, desenvolvem-se à temperatura de 30-35o C, umidade e oxigênio. Nessas condições, o ovo pode desenvolver-se em 12 dias, formando primeiramente em seu interior, uma larva rabditóide que, em uma semana, sofre mutação para os estágios de segunda e terceira larvas rabditóides, respectivamente. Esta terceira larva rabditóide é a larva dita infectante.

O homem infecta-se ingerindo água contaminada ou alimentos crus infectados com a mesma. As crianças podem se contaminar através do solo, pelo fato de levarem as mãos à boca. Os ovos ingeridos atravessam o estômago e as larvas vão ser liberadas no intestino delgado. Atravessam em seguida a parede do intestino e caem na circulação sangüínea, onde vão cair no coração direito e em seguida, pulmões, onde sofrem novas mudas e depois migram pela árvore brônquica e são ou eliminados pela saliva ou deglutidos. Quando deglutidos, vão para o intestino e provocam a infecção, atingindo a maturidade e sendo capazes de reiniciar o seu ciclo.

4.3 Epidemiologia

A ascaridíase é uma das helmintoses mais comuns no Brasil senão a helmintose mais comum, bem como em todo o mundo, principalmente nas regiões subtropicais do planeta. Nas sociedades de baixo nível socioeconômico, sua prevalência facilmente ultrapassa os 80%.

 

4.4 Manifestações clínicas

No estágio larvário, dificilmente provocam algum sintoma relato, podendo ser comuns manifestações intestinais, pois as larvas migram para veia porta. Na sua passagem pelos pulmões, podem provocar, infecções moderadas que por vezes podem evoluir e levam à tosse, febre, dispnéia, dor torácica, roncos, sibilos e moderada ou intensa eosinofilia. O diagnóstico é dado por amostragem de larvas no escarro e, na criança pequena, pelo lavado gástrico. A cura geralmente é espontânea em até duas semanas.

Na sua migração pelo fígado, as larvas podem provocar, embora sem comprovação, hepatomegalia, acompanhadas de eosinofilia intensa (94%), hiperglobulinemia, mal-estar geral e febre persistente e moderada.

No estágio adulto, a ascaridíase intestinal geralmente é bem tolerada, suas principais manifestações são acentuação da lordose lombar e abdome proeminente, pois podem aumentar o conteúdo abdominal e interferir na digestão e absorção entéricas. O desconforto abdominal se manifesta por dor em cólica podendo ocorrer náuseas. A desnutrição também está relacionada embora ainda não comprovada, por ação de utilização do nitrogênio e gordura, tolerância à lactose e utilização de vitamina A pelo verme.

Precedendo esse quadro, pode ocorrer também a eliminação espontânea do verme pela boca, narinas e ânus. Quando o quadro de obstrução intestinal persistir por muito tempo, pode ocorrer isquemia intestinal com conseqüente necrose.

4.5 Diagnóstico

É feito pela presença do parasita nas fezes, ou no material vomitado. Aos Raios-X podem ser visíveis após ingestão de contraste, os parasitas com seu trato alimentar contrastado, ou como manchas alongadas. A eosinofilia é achada freqüente na infecção por Ascaris.

 

4.6 Tratamento

O tratamento deve ser feito de imediato, mesmo com pequeno número de vermes, pois sua migração pode aparecer de fato. Apenas nos casos de ascaridíase intestinal, as drogas mais indicadas são: os sais de piperazina, na dose de 75-100 mg/kg de peso, sais de tetramisol ou levamisol, nas doses de 80mg para crianças e 150mg para adultos, pamoato de pirantel, na dose de 10mg/kg/dia e o mebendazol, na dose de 100mg via oral cada 12 horas durante três dias consecutivos.

 

4.7 Profilaxia

Os principais meios de prevenção são a educação para a saúde, de modo a evitar a contaminação no solo com fezes, e contato direto com solo, melhoria dos hábitos higiênicos no preparo de alimentos e seu manuseio, especialmente vegetais.

O saneamento básico, a desinfecção e o tratamento são os principais meios de erradicar a doença. Deve-se usar latrinas, fossas secas e outros dispositivos para o recolhimento de dejetos, especialmente nas comunidades com precárias condições socioeconômicas. A desinfecção do solo também deve ser tentada, especialmente galinheiros e fazendas, além da desinfecção de alimentos, o que é mais dificultado, pois geralmente utilizamo-nos da fervura, o que por si só não seria possível para completa desinfecção.