TOXOPLASMOSE
O agente etiológico da toxoplasmose é
o Toxoplasma gondii, um protozoário
de distribuição geográfica mundial. Quase 40% da população tem sorologia
positiva, podendo chegar a 60% em algumas regiões. A toxoplasmose pode ser congênita
ou adquirida.
Toxoplasmose
congênita
A infecção ocorre durante a gestação
e é bastante grave, podendo ocorrer aborto ou crianças recem-nascidas com
encefalite, icterícia, urticária, hepatomegalia, coriorretinite, hidrocefalia
e microcefalia com alta taxa de mortalidade.
Toxoplasmose
adquirida
A infecção ocorre após o nascimento
ou na vida adulta e é de caráter benigno na maioria das vezes.
Morfologia:
principais formas:
-trofozoítos ou taquizoítos:
Apresenta-se com forma grosseira de banana ou meia-lua. Uma das
extremidades é mais afilada e a outra é mais arredondada. Medem
cerca de 4 a 9 micrômetros de comprimento por 2 a 4 micrômetros de largura.
O núcleo é quase central. Na extremidade mais afilada está o oonóide
que tem função de penetração.
-bradizoítos ou cistozoítos:
Mede cerca de 100 a 300 micrômetros de diâmetro. É esférico ou
tem o contorno da célula parasitada. Apresenta uma membrana
interna, própria do parasito e uma externa, produzida pela célula parasitada.
Dentro do cisto existe um grande número de Bradizoítos ou Cistozoítos.
-oocistos: Tem forma oval.
Mede de 10 a 12 micrômetros de diâmetro. Apresenta no seu interior
2 esporocistos e cada um com 4 esporozoítos.
*Obs.: Toxoplasma significa corpo em forma de arco.
Habitat
-taquizoítos: dentro das células,
líquidos orgânicos, excreções e secreções, células do SMF, células hepáticas,
pulmonares, nervosas, submucosas e musculares.
-bradizoítos: tecidos musculares
esqueléticos, cardíacos, retina, tecido nervoso.
-oocistos: produzidos nas células
intestinais de felídeos não imunes e eliminados com as fezes dos mesmos.
Ciclo
evolutivo
-fase assexuada nos tecidos de vários
hospedeiros (inclusive gatos).
-fase sexuada no epitélio
intestinal de gatos não imunes.
FASE SEXUADA:
No gato, que é
o hospedeiro definitivo: inicia quando um gato ou outro felídeo ingere
oocistos, cistos ou trofozoítos, que se desenvolverão no epitélio intestinal
do gato. Por esquizogonia os esporozoítos ou trofozoítos darão
origem a esquizontes e merozoítos. Estes últimos formam o macro e
o microgameta, respectivamente. Unem-se os dois e surge o ovo ou
zigoto que por processo complexo forma o oocisto. Rompe a célula
parasitada e são eliminados com as fezes do gato. No meio externo,
o oocisto amadurece e forma 2 esporocistos com 4 esporozoítos.
FASE ASSEXUADA:
Ocorre num
hospedeiro suscetível (homem, cão e aves). Este hospedeiro
intermediário, ingerindo ou entrando em contato com trofozoítos, ficará
infectado. Cada trofozoíto entrará numa célula e se reproduzirá
intensamente, até o rompimento da mesma. Há liberação de trofozoítos
e disseminação para outros tecidos através do sangue e linfa até que a
imunidade apareça, diminuindo o número de parasitos e surgindo os cistos que
caracterizam a fase crônica e permanecem em latência até a reagudização da
doença.
Transmissão
-ingestão de oocistos nos jardins,
caixas de areia, latas de lixo; mecanicamente através de moscas, baratas,
minhocas, etc.
-ingestão de cistos em carnes cruas ou
mal cozidas de porco, carneiro, aves, coelho
-congênita
Patogenia
e sintomas
Toxoplasmose congênita ou pre-natal:
aborto, partos precoces ou nascimento de crianças com anomalias.
1º trimestre:
aborto
2º trimestre: Síndrome
ou Tétrade de Sabin
. coriorretinite: 90% dos casos
. calcif. cerebral: 69% dos casos
. perturbação neural: 60% dos casos
. micro e macrocefalia: 50% dos casos
3º trimestre:
nasce normal, mas com sintomas de comprometimento ganglionar,
hepatosplenomegalia, anemia, miocardite, problemas visuais.
Toxoplasmose adquirida: casos
benignos podendo ser assintomáticos.
. ganglionar: com febre e adenopatia
cervical
. coriorretinite: mais frequente
. ocular: retinocaroidite com cegueira
total ou parcial
. cutânea: exantemas populares
. cerebro-espinhal
. generalizada
Em pacientes imunodeficientes ocorre encefalite toxoplásmica.
Diagnóstico laboratorial
Demonstração do parasito:
-exsudatos, líquor,
leite
-sangue, biópsia,
inoculação
Sorologia:
-Sabin-Feldmann
-RFC
-reação intradérmica
- toxoplásmica
-imunofluorescência
indireta (positiva em 8 a 10 dias de infecção)
Títulos:
1:1000 - taxa aguda
1:10 a 1:50 - taxa infecciosa crônica
até 1:16000 - aguda
hemaglutinação
Alto título => doença
-taxa congênita: pesquisa de IgM no
soro do recém-nascido.
-taxa adulto: fazer algumas reações em
intervalos de 2 ou 3 semanas para verificar se há elevação do título.
-taxa ocular: imunoglobulina humor
aquoso X imunoglobulina soro
-taxa indivíduos imunodeprimidos:
sorologia X tomografia computadorizada
Tratamento
Pirimetamina + Sulfadoxina ou
sulfadiazina em associação com ácido fólico ou levedo de cerveja para melhor
absorção.
Taxa ocular:
-anti-inflamatório + anti-parasitário
-cloridrato de clindamicina + sulfa +
meticortem (corticóide)