Tratamento da água           

1.      Quantidade de Água 

            Torna-se indispensável que o homem disponha de água em quantidade suficiente aos seus diversos usos. A falta de água tem reflexos sanitários, pois influirá na higiene pessoal, dos alimentos e do ambiente, podendo trazer prejuízos à saúde humana.

            O consumo de água depende de alguns fatores, como hábito, poder aquisitivo e nível de educação sanitária da comunidade; características climáticas; tipo de cidade; características do sistema de abastecimento (disponibilidade de água, existência de medidores de consumo, etc...)

            Foram recomendados, nos projetos de abastecimento de água, valores como: 450 litros por habitante por dia, para a cidade do Rio de Janeiro; 350 litros por habitante por dia, na cidade de São Paulo; 250 litros por habitante por dia, em Curitiba. 

1.1  Sistemas de Abastecimento de Água

            Existem duas maneiras de se realizar o abastecimento de água:

-         soluções individuais

-         sistemas públicos coletivos

O primeiro caso ocorre, geralmente, no meio rural ou em áreas urbanas não servidas pelo sistema coletivo. 

Soluções individuais:

-         coleta direta em rios, represas, lagoas, fontes naturais, etc...;

-         acumulação de água da chuva;

-         poços. 

1.2  Coleta direta em rios, represas, lagoas, fontes naturais, etc...

            Este tipo de abastecimento de água é mais utilizado no meio rural, onde a coleta é feita em vasilhames (pote, latas, etc...) transportados manualmente para as residências, ou utilizando sistemas de bombeamento.

            Nesses casos, alguns cuidados devem ser utilizados para garantir a qualidade da água:

-         isolar o local de coleta, para evitar o acesso indiscriminado de pessoas ou de animais;

-         não utilizar o local para outros fins, tais como banhos, lavagem de roupas ou de animais;

-         não construir fossas nas proximidades;

-         não permitir que os resíduos líquidos e/ou sólidos sejam despejados no manancial ou nas proximidades;

-         adotar as medidas “caseiras” de tratamento de água: filtração, fervura e outras.(ver item 3.1.2) 

1.2.2 Acumulação de água da chuva

Acumular água em cisternas é uma prática possível de ser adotada, principalmente em regiões onde há escassez de água.

As cisternas têm o objetivo de armazenar a água captada na superfície dos telhados das casa, prédios, etc... durante os períodos de chuvas, para ser usada nos períodos de seca.

1.1   A cisterna é uma solução que deve ser incentivada nas regiões semi-áridas, para garantir, pelo menos, a água a ser ingerida pela população. Em pequenos aglomerados humanos, podem ser utilizadas as cisternas maiores, para uso comunitário.

Para garantir a qualidade da água acumulada em cisternas, devem-se tomar alguns cuidados:

-         não recolher as primeiras águas da chuva, pois podem conter sujeiras dos telhados; para isso, deve ser instalado um dispositivo que permita desviar as primeiras águas;

-         a cisterna deve ser mantida bem vedada, evitando-se o acesso de detritos e animais e a incidência da luz solar. Com a ausência da luz solar, será reduzida a proliferação de algas;

-         as cisternas de forma retangular devem ter os cantos arredondados, para facilitar a limpeza;

-         deve-se evitar o uso de baldes para retirar a água, pois são veículos de contaminação.

A cisterna deve ter uma torneira na parte mais baixa para a saída da água. Quando a cisterna for enterrada, recomenda-se a utilização de bombas manuais para a retirada da água.

Podem ser utilizadas substâncias desinfetantes na água, para garantir a sua qualidade. Podem ser utilizados produtos à base de cloro.

 

1.2.3 Poços

A obtenção de água de poços é o meio mais utilizado nas áreas urbanas não servidas por sistemas públicos de abastecimento, e também em zonas rurais.

Os poços podem ser rasos, quando a água é captada dos primeiros lençóis d’água, ou profundos, quando atingem lençóis d’água mais inferiores. Quando o nível da água em um poço fica sob pressão atmosférica, tem-se um poço freático. Quando o nível da água do poço (geralmente profundo) fica sujeito a uma pressão superior à atmosférica, tem-se um poço artesiano. Em alguns casos, a água do poço jorra acima da superfície do solo, tendo-se um poço artesiano jorrante.

Os poços são classificados em escavados – conhecidos como cacimbas ou cacimbões – ou tubulares, em que a própria tubulação serve como parede lateral. Os poços tubulares podem ser rasos ou profundos e os poços escavados são, geralmente, rasos.

As águas dos poços rasos estão mais sujeitas à contaminação, sendo suas principais causas: águas residuárias infiltradas a partir de sistemas de absorção, no solo, de efluentes de fossas; infiltração de líquidos percolados a partir da superfície, inclusive águas de chuvas que carreiam impurezas, introdução de materiais indesejáveis através da abertura superior. Os poços rasos – tubulares ou escavados – estão sujeitos à primeira causa, enquanto ns poços escavados, ocorrem predominantemente os dois últimos modos de contaminação.

Para evitar esses riscos de contaminação. Alguns cuidados devem ser observados:

-         o poço deve ser construído na parte mais alta do terreno, em relação à fossa;

-         a distância adequada para as fossas: mínimo de 15 metros para fossa seca; afastamento maior (20 metros, no mínimo), para sumidouros ou valas de infiltração;

-         cobertura adequada do poço, com tampa bem vedada;

-         elevação das paredes do poço acima do solo, pelos menos 20 centímetros;

-         construção de uma boa calçada com largura de 1 metro, em volta da boca do poço;

-         revestimento impermeável das paredes do poço até, pelo menos, 3 metros de profundidade;

-         a retirada de água por meio de balde e corda deve ser evitada, devendo-se utilizar bombas manuais ou a motor, quando isto não for possível, cuidados devem ser tomados para evitar a contaminação do balde e/ou da corda; o risco é menor quando se usa roldana ou manivela. 

2. Sistema Público de Abastecimento

            Nos centros urbanos, a solução adequada para o abastecimento de água é o sistema coletivo, que deve garantir um líquido potável à comunidade.

            De um modo geral, o sistema público de abastecimento de água é composto das seguintes partes:

-         captação;

-         adução;

-         tratamento;

-         reservação;

-         distribuição;

A captação é feita em mananciais de superfície (rios, represas, lagoas, lagos) ou subterrâneos (fontes naturais e poços), dependendo da localização da cidade, da disponibilidade de água e da qualidade da mesma. 

A adução  compreende o transporte de água entre o manancial e o restante do sistema, o que é feito através de uma tubulação adutora. A adução pode ser feita por gravidade ou por recalque, dependendo da topografia do terreno. 

O tratamento  tem por objetivo reduzir ao mínimo desejável as impurezas presentes na água, tornando-a potável. Dependendo da qualidade da água no manancial, este tratamento pode ser mais ou menos rigoroso. Em uma Estação de Tratamento de Água (ETA) convencional, o tratamento é feito por intermédio dos seguinte processos:

. Mistura rápida (coagulação): a água passa por intensa agitação e recebe produtos coagulantes, como o sulfato de alumínio. Este é colocado na água com o intuito de agregar as impurezas presentes, geralmente leves, as quais não são capazes de sedimentar sozinhas.

. Floculação: após a mistura com o coagulante, à água é destinada a câmaras chamadas de floculadores, onde são levemente agitadas.  Nestas câmaras, a sujeira presente adere ao coagulante (geralmente, o sulfato de alumínio), formando os flocos mais pesados, facilmente sedimentáveis.

. Decantação: nos tanques chamados decantadores, há a sedimentação dos flocos formados nas câmaras de floculação.

. Filtração: os filtros, construídos em camadas de areia com granulometria variável, destinam-se a reter as impurezas que conseguem ultrapassar os decantadores.

. Desinfecção: visa exterminar os microrganismos patogênicos, através da introdução, na água, de produtos desinfetantes, sendo os mais usados aqueles à base de cloro, daí este processo ser conhecido como cloração.  Geralmente, adiciona-se uma quantidade de cloro a mais (chamada de cloro residual), para garantir o extermínio de impurezas porventura existentes após a ETA, nas tubulações ou caixas d’água públicas ou domiciliares.

 Após o tratamento o destino da água é a reservação, que tem como objetivo acumular água para tender às variações de consumo ou  às situações de emergência, bem como assegurar uma determinada pressão à mesma.

Dos reservatórios é feita à distribuição da água potável à população.