Traumatismo Crânio-Encefálico

 

 

Na maioria dos acidentes com automóveis a grande preocupação é com a batida na cabeça que se chama traumatismo do crânio (os ossos) e encefálico (o que aconteceu com o cérebro). Essa é uma das principais causas de morte no adulto jovem, tendo uma incidência de  500 mil casos/ano. Cerca de 10% desses doentes morrem antes de chegar ao hospital. Dos traumatismos crânio-encefálicos que recebem cuidados médicos, 80% podem ser classificados como leves, 10% como moderados e 10% como graves.

Os primeiros minutos após o acidente são fundamentais para impedir o óbito. São importantes a assistência respiratória, controle imediato de hemorragias e posicionamento da cabeça do paciente no transporte, pois na maioria das vezes está em coma, sem controle de seus movimentos.

O grau de gravidade é avaliado pela escala de coma de Glasgow, que avalia o estado de consciência do acidentado em pontos de acordo com a resposta a estímulos dolorosos, com a abertura dos olhos, com a resposta verbal, e com a resposta motora, mexendo o braço ou a perna. O número máximo da escala de Glasgow é quinze e significa que o paciente está consciente, e a menor pontuação é três, e significa que o paciente está em coma.

O primeiro atendimento é importante para assegurar uma boa evolução. Uma postura calma é fundamental. O encaminhamento adequado é essencial e algumas regras precisam ser definidas quando houver necessidade de transferência para hospital de maior porte:

 

1-   Definir o hospital de destino.

2-   Contatar o plantonista.

3-   Fazer um relato breve da condição clínica do doente.

4-   Providenciar transporte seguro.

5-   Informar aos familiares a necessidade do encaminhamento/riscos.

 

Usar a escala de coma de Glasgow para avaliar a gravidade do quadro:

 

ESCALA DE COMA DE GLASGOW

 

Pontos

Abertura Ocular

Resposta Verbal

Resposta Motora

 

 

 

> 24 meses

< 24 meses

> 24 meses

< 24 meses

 

6

x

x

x

Responde prontamente a uma ordem verbal

Movimentos espontâneos

 

5

x

Compreensível, boa orientação.

Balbucia, fixa o olhar, acompanha com o olhar, reconhece e sorri.

Localiza estímulo táctil  ou  doloroso

Retira o segmento ao estímulo táctil não doloroso

 

4

Espontânea

Confusa, desorientada.

Choro irritado, olhar fixo, acompanha inconstantemente, reconhecimento incerto, não sorri.

Defende o segmento do estímulo doloroso nele provocado.

 

 

3

Após  ordem  verbal

Inadequada

salada de palavras

Choro a dor, acorda momentaneamente, recusa alimentar-se

Movimentos desordenados, sem relação com o estímulo doloroso, com flexão das extremidades (decorticação).

 

 

2

Após  estímulo  doloroso

Incompreensível

Gemido a dor, agitação motora, inconsciente.

Extensão das quatro extremidades a um estímulo doloroso (descerebração)

 

1

Ausente

Ausente

Coma profundo, sem contato com o ambiente

Ausente (paralisia  flácida)

 

 

Conduta:

 

Depende da gravidade, da pontuação da Escala de Glasgow:

 

1-   Menos de 8 pontos: risco de vida imediato.

2-   Entre 8 e 12 pontos: quadro grave ou potencialmente grave/precisa ser transferido.

 

·      Solicitar ambulância com estrutura de UTI/transferir de imediato para hospital de grande complexidade.

·      Fazer oximetria, desobstrução de vias aéreas, instalação de venóclise, e outros procedimentos necessários.

·      Avaliar danos provocados pela  lesão primária (de substância cerebral ou de vasos) e pela  secundária (por  hipóxia e isquemia). As lesões secundárias podem se manifestar de horas a dias após o evento.

·      Monitoramento contínuo.

·      Adotar a seguintes medidas enquanto o paciente aguarda transferência:

 

®  posição  - se o paciente está bem hemodinamicamente, coloque-o em decúbito lateral, semi-sentado com a parte superior do corpo elevada (30 graus)

®  fazer dexametasona IV (2mg/kg)

®  ministrar diazepam IV, lentamente (0,2mg/kg) se houver crises convulsivas

 

3 - Acima de 12 pontos:

 

·      Internar em apartamento 24 horas nos seguintes casos: antecedentes de náuseas, vômitos , perda de consciência durante o evento traumático  ou em família ansiosa.

·      Se os sintomas ainda estiverem presentes realizar dexametasona  2mg/kg IV e fazer soro glicosado a 10% - 100ml/kg/dia.

·      Acompanhe clinicamente com oximetria, tensão arterial e dextrostix.

·      Contatar assistente.  Discutir necessidade de  especialista.

·      Após 12 horas se estiver bem, liberar, com orientação, para casa.

 

Pequenos traumas em que não houve qualquer alteração neuro-vegetativa, ou de perda de consciência e o exame clínico for normal, fazer orientação. Vigilância de nível de consciência, vômitos, cefaléia, sinais focais e neurovegetativos e liberar para casa.